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sexta-feira, 31 de maio de 2013

Teste completo: Renault Sandero GT Line

31/05/2013 Carros do Álvaro — Apliques visuais dão força e ajudam nas vendas do Renault Sandero GT Line.

Depois de 15 anos de Brasil, a Renault já entende perfeitamente o mercado brasileiro. Para transformar o Sandero em seu modelo mais vendido por aqui, a fabricante francesa apelou para uma tática já conhecida da indústria nacional: variações sobre o mesmo tema. São configurações que demandam quase nenhuma alteração mecânica – portanto, de baixo investimento e fáceis de produzir – e que dão bom retorno ao fabricante. É o caso da versão “esportiva” do hatch, a GT Line, reeditada em agosto do ano passado. As diferenças em relação a um Sandero tradicional são puramente visuais, mas ajudam a ampliar o leque de interessados no modelo.

Atualmente, a Renault estima que o GT Line responda por entre 8 e 10% de todos os Sandero vendidos – de 550 a 700 unidades mensais. Média esta que deve crescer muito este ano. É que a Renault fechou a sua fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, no começo do ano para uma grande expansão. Aumentou a capacidade produtiva de 280 mil para 380 mil veículos/ano. Isso vai permitir, inclusive, que o Sandero suba em relação ao décimo lugar que conseguiu no ranking brasileiro de mais vendidos do ano passado.

O GT Line voltou à vida no ano passado depois de ter aparecido em 2010 como série limitada. Mas a versão “ressuscitada” apareceu com uma diferença básica. O atual Sandero GT Line usa o repaginado motor 1.6 8V, agora apelidado de Hi-torque. Recalibrações e o uso de novos materiais permitiram um ligeiro aumento de potência e torque, aliado à queda no consumo de combustível. O 1.6 8V passou de 95 cv e 14,1 kgfm para 106 cv e 15,5 kgfm. O primeiro modelo, por outro lado, trazia o 1.6 16V de 112 cv e mesmos 15,5 kgfm, hoje restrito apenas às variantes com câmbio automático do Sandero. A diferença de força entre os dois é bem pequena, mas o renovado 8V tem a vantagem de fornecer o torque máximo em rotações mais baixas.

Na parte estética, a Renault manteve a estratégia. Do lado de fora, o GT Line adiciona novos para-choques, com detalhes em preto, máscara nos faróis, adesivos na carroceria, rodas em preto e um chamativo aerofólio traseiro. Por dentro, o exagero continua. O quadro de instrumentos tem grafismo único e há detalhes em vermelhos para todos os lados. Inclusive no cinto de segurança. O GT Line já vem “completinho” de série. Traz vidros elétricos, ar-condicionado, direção hidráulica, detalhes internos em couro, rodas de liga leve e rádio por R$ 40.680. Um Sandero “normal” igualmente equipado sai cerca de R$ 2 mil a menos. É o preço da esportividade visual.

Ponto a ponto

Desempenho – O “reengenheirado” motor 1.6 8V mostra bom fôlego em giros baixos. O torque máximo de 15,5 kgfm aparece já antes das 3 mil rotações, o que beneficia as arrancadas e o uso no trânsito urbano. Entretanto, na hora de explorar o máximo o hatch, fica uma sensação de falta de potência em giros maiores. Além disso, as marchas parecem ter relações longas demais para um carro com pretensões esportivas. Nota 7.

Estabilidade – O Sandero é um hatch bem acertado dinamicamente. Algo que a versão GT Line não altera. O comportamento da suspensão agrada nas curvas, com rolagens de carroceria controladas. A direção hidráulica é precisa e traz um bom feeling da estrada. Não é um “puro sangue”, mas dá para se divertir com o Renault. Nota 8.

Interatividade – Com o último face-lift da linha, a Renault melhorou o convívio com o Sandero. Os comandos dos vidros elétricos foram para as portas, por exemplo, e o rádio é mais completo – apesar de ter funcionamento um pouco confuso. A direção é precisa, enquanto a transmissão poderia ser mais “certeira”. A maior falha vem na ergonomia dos bancos. Mesmo com a tal proposta esportiva do GT Line os assentos não ganham abas laterais ou sequer um melhor apoio para as coxas. Nota 7.

Consumo – O InMetro não fez medições do Sandero GT Line. O computador de bordo marcou a média de 8,7 km/l de gasolina em trajeto misto. É muito para um carro que não tem comportamento esportivo de verdade. Nota 6.

Tecnologia – O motor 1.6 8V ganhou atualizações que resultaram em um desempenho e consumo interessantes. A lista de equipamentos é boa e traz o que se espera de um hatch compacto completo. A plataforma não é nada sofisticada e já é antiga, datada de 2004, mas ainda tem espaço interno acima da média da concorrência e traz rigidez torcional satisfatória. Nota 7.

Conforto – O tamanho da cabine é um dos destaques do Sandero. Cinco adultos conseguem viajar no hatch sem grandes problemas, algo que não acontece em quase nenhum de seus concorrentes. A suspensão é robusta e bem calibrada ao solo brasleiro. Os bancos, no entanto, são pouco confortáveis e cansam depois de algumas horas na direção. Nota 7.

Habitabilidade – Entrar e sair do Sandero é algo simples devido às grandes e amplas portas. Lá dentro, até há uma boa oferta de porta-objetos, mas a maioria deles é rasa demais. O porta-malas de 320 litros é bom para o segmento. Nota 7.

Acabamento – Não é o forte dos Renault de origem Dacia. O problema não é nem a grande presença de plásticos rígidos, algo esperado no segmento, e sim o aspecto pobre dos materiais usados. Nem os apliques em vermelho da versão melhoram a situação. Nota 6.

Design – Mesmo com algum tempo de mercado, o Sandero ainda agrada visualmente. Há um balanço entre as linhas do hatch da Renault. Por fora, as alterações da variante GT Line agradam e dão um aspecto mais agressivo ao carro. Na cabine, a impressão é que a marca francesa perdeu a mão e exagerou nos detalhes em vermelho. Nota 7.

Custo/beneficio – A lista de rivais com apelo esportivo não é das mais extensas. Se resume basicamente a Nissan March SR e Fiat Palio Sporting, ambos equipados também com motor 1.6, mas com desempenho ligeiramente superior. A favor do modelo de origem japonesa também está o preço mais em conta: R$ 38.590. Já o carro da Fiat parte de R$ 40.020 e ainda pode atingir R$ 47 mil. Entretanto, é o único do trio a de fato contar com mudanças mecânicas, como câmbio com relações mais curtas e suspensão ligeiramente rebaixada. O Sandero fica no meio do caminho, com um conjunto comportado e maior nível de espaço interno e conforto. Nota 7.

Total – O Renault Sandero GT Line somou 69 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Vermelho manso

A Renault não foi nada conservadora na hora de imaginar um Sandero mais esportivo. O GT Line é, inegavelmente, chamativo. Principalmente por dentro, com todos os apliques vermelhos. Por sinal, na cabine, a impressão é que a fabricante francesa passou dos limites e “emperiquetou” demais o hatch.

Exagero que não foi extendido à parte mecânica. Com o mesmo acerto dinâmico de todos os outros Sandero, o GT Line não chega a empolgar. Mas passa longe de decepcionar. O conjunto de suspensão é muito bem acertado e até incita o motorista a dirigir de maneira mais “animada”. Dá para contornar curvas com agressividade sem medo de rolagens exageradas de carroceria ou extremas perdas de tração. O renovado motor 1.6 8V é menos instigante. Principalmente por ser um tanto murcho em rotações elevadas. Mas, em relação ao antigo GT Line, traz comportamento mais suave e acertado para o trânsito urbano. Principalmente pela maior oferta de torque em giros baixos. Melhora que não foi acompanhada pelo câmbio manual, ainda pouco preciso e com relações longas demais para um esportivo.

O maior trunfo do Sandero, entretanto, se mantém em sua grande cabine. Lá, cinco adultos se posicionam com bastante espaço – embora os bancos contem com poucos apoios laterais e para coxas. O acabamento ainda é feito com plásticos com um aspecto tosco, rude demais. Mas não se distancia tanto do que é oferecido pela concorrência.

Ficha técnica

Renault Sandero GT Line

Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, quatro cilindros em linha, com duas válvulas por cilindro. Injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 98 cv com gasolina e 106 cv com etanol a 5.250 rpm.
Torque máximo: 14,5 kgfm com gasolina e 15,5 kgfm com etanol a 2.850 rpm.
Diâmetro e curso: 79,5 mm x 80,5 mm. Taxa de compressão: 12,0:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com triângulos inferiores, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira com rodas semi-independentes, com molas helicoidais, amortecedores telescópicos hidráulicos e barra estabilizadora. Não oferece controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 185/65 R15.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,02 metros de comprimento, 1,74 m de largura, 1,52 m de altura e 2,59 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais.
Peso: 1.055 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 320 litros.
Tanque de combustível: 50 litros.
Produção: São José dos Pinhais, Paraná.
Itens de série: Airbag duplo, ABS, ar-condicionado, aerofólio esportivo, banco do motorista com regulagem de altura, computador de bordo, faróis de neblina, vidros dianteiros e travas elétricas, rodas de liga leve de 15 polegadas, volante revestido em couro e rádio/CD/MP3/Bluetooth.
Preço: R$ 40.680.
Texto: Rodrigo Machado / Auto Press / Fotos: Pedro Paulo Figueiredo / Carta Z Notícias / Via: MotorDream

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