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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Teste completo: Fiat Siena EL 2013

26/10/2012 Carros do Álvaro — Com desmembramento da linha, Siena EL torna-se o sedã entrada da Fiat.
A Fiat ousou quando resolveu desmembrar o Siena em dois modelos completamente diferentes. Hoje a marca italiana tem como opção um pouco mais requintada o Grand Siena, modelo maior, mais espaçoso e moderno para brigar com uma concorrência renovada. Já na parte inferior, está o Siena EL, ainda com a carroceria antiga do sedã e preço mais em conta. O foco é claro: brigar com o Chevrolet Classic entre os sedãs mais baratos do mercado nacional. É aquele típico carro que serve apenas para quem precisa – ou só alcança – de um sedã sem muitas "firulas". E, depois das vendas estabilizarem após a introdução dos dois carros, a estratégia da Fiat se mostrou bem aceita pelo mercado.

A média de vendas do Siena no ano passado e em 2012 não chegou a mudar. Entre altos e baixos, o sedã manteve 7.500 emplacamentos mensais – total combinado de Grand Siena e EL. Deste número, 30% é da versão de entrada, algo em torno de 2.200 carros. Uma fatia importante que ajuda a manter o Siena embalado na competição. Entretanto, o próprio segmento de sedãs compactos diminuiu de tamanho no Brasil. De acordo com a Fenabrave, a participação destes modelos no total de carros vendidos no país caiu cerca de 10% em relação a 2011. Na prática, isso significa que o Siena conseguiu encostar no líder Classic. No ano passado ele venceu a disputa com folgas, mas agora a briga é muito mais acirrada. Hoje, Fiat e Chevrolet rondam os 7.500 emplacamentos mensais no segmento. 



Para conseguir isso, em junho a Fiat repaginou o Siena EL. Foi um face-lift discreto, que passou apenas pela dianteira e interior. O para-choque é novo, assim como a grade com um friso cromado na horizontal. No interior, a mudança foi mais significativa. O console central ganhou uma pintura em cor diferente, o volante é novo, assim como o painel de instrumentos. Os bancos receberam novas estruturas e forros. 

O Siena EL é vendido com duas configurações de motor, cada uma com metade do total das vendas da versão. A de entrada usa o motor 1.0 Fire de 75 cv e 9,9 kgfm de torque. Nele, o preço é de R$ 28.150. A superior usa o 1.4 Fire com 86 cv e 12,5 kgfm de torque a 3.500 rpm. Nesse caso, o valor sobe para R$ 30.970. Como a maioria dos veículos de entrada no Brasil, a lista de equipamentos do Siena EL não é das mais completas. De destaque, o carro vem de série com conta-giros e computador de bordo. O resto todo aparece apenas como opcional. Prova da diferença que a Fiat quer criar entre seu mais básico sedã e o Grand Siena.
Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.4 Fire da Fiat nunca foi conhecido por seu grande desempenho. E no Siena EL, isso não muda muito. É verdade que, por causa do baixo peso do sedã, o desempenho não é vexatório, mas é apenas suficiente para mantê-lo no ritmo do trânsito. O câmbio manual da marca italiana também não é dos melhores e tem engates pouco precisos. Nota 6.

Estabilidade – O Siena EL não muda sua arquitetura desde 2004 quando recebeu alguns reforços estruturais e ajustes de suspensão. Mesmo assim, isso significa um carro molenga, muito mais voltado para o conforto do que qualquer condução mais ousada. Até mesmo nas retas, em altas velocidades, o Siena não passa segurança. Nas curvas, a carroceria rola mais que o recomendável. Nota 6.

Interatividade – Mesmo sem mudar muito, o Siena ganhou algumas melhorias na interação com o motorista. O rádio, por exemplo, agora é igual ao resto da linha Fiat e é cheio de funções interessantes. O volante é bem melhor, mais bonito e com uma pegada esportiva. Também há um generoso apoio para o pé esquerdo do motorista. O lado negativo continua sendo o câmbio com engates imprecisos. Nota 8.

Consumo – O InMetro declara uma média de 11,4 km/l de gasolina em um trajeto misto para o Siena EL 1.4. Nota 8.

Tecnologia – A plataforma do Siena já tem 15 anos – apesar de ter passado por uma pequena atualização, em 2004. Tem concepção antiga, sem tanto espaço na traseira, e rigidez torcional abaixo do desejável. A lista de equipamentos também não é das mais avançadas. Itens essenciais como direção hidráulica e ar-condicionado aparecem só como opcionais que elevam bastante o preço do automóvel. Nota 5.
Conforto – O ajuste macio da suspensão inegavelmente beneficia o conforto. Como o acerto é pouco rígido, a maioria das imperfeições são absorvidas com competência pelo conjunto. O espaço interno é justo para quatro pessoas. Mesmo assim, pode ocorrer aperto caso os ocupantes do banco traseiro sejam muito altos. O isolamento acústico é apenas regular. Nota 7.

Habitabilidade – O grande destaque do Siena EL é exatamente seu porta-malas espaçoso. São 500 litros de bagagem – apesar de ter alças que invadem a área das malas. No interior, a quantidade de porta-objetos é suficiente para guardar a maioria das tranquilharias cotidianas. Nota 7.

Acabamento – As mudanças no novo Siena EL até que deram um aspecto menos pobre ao interior do sedã, principalmente com a pintura em black piano do console central. Mas não chega a ser algo que disfarça a má qualidade dos materiais usados e até dos encaixes das peças. Nota 6.

Design – O Siena nunca foi um carro de ganhar prêmios de design, mas, mesmo assim, é um dos modelos que mais agrada visualmente no segmento. Em um setor povoado com o ultrapassado Classic e o "caixotão" Renault Logan, a harmonia das linhas do modelo da Fiat são um destaque. Nota 8.

Custo/beneficio – O preço de entrada do Siena EL 1.4 nem chega a ser alto. Os R$ 30.970 são até justos. O problema é a lista de equipamentos, muito pequena. Com alguns concorrentes de projeto novo no mercado, é um ponto negativo do modelo da Fiat. Para se ter ideia, a unidade testada do modelo que tinha trio elétrico, ar, direção hidráulica, rádio e airbag/ABS custa quase R$ 40 mil. Um valor que já encosta no próprio Grand Siena. Nota 6.

Total – O Fiat Siena EL 1.4 somou 67 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir

Sensação conhecida

Entrar no Siena EL é uma experiência nostálgica. A cabine do sedã básico da Fiat é praticamente a mesma desde 2004. Isso inclui o acabamento pouco sofisticado e algumas soluções pouco criativas. É o caso das saídas de ar, instaladas em posição muito baixa. Sempre que o motorista for mexer no rádio, é atingido por uma rajada de ar gelado – algo resolvido no Grand Siena, por exemplo. Ao menos, a reestilização do meio do ano melhorou ligeiramente o convívio com o sedã. O quadro de instrumentos ficou com aspecto mais moderno e mantém a boa visualização. O computador de bordo é completo, cheio de funções. O volante, além de vistoso, tem ótima pegada e há um generoso descanso para o pé esquerdo do condutor.

No resto, o Siena EL é um carro um tanto previsível. O motor 1.4 até consegue distanciar o comportamento dos 1.0, mas nada que saia do esperado. Para realizar alguma ultrapassagem, por exemplo, é necessário reduzir uma marcha, pisar fundo e ter um bocado de paciência. Mesmo assim, dá para conviver com o modelo tranquilamente no ambiente urbano. O câmbio em si não é dos melhores. Os engates são pouco precisos e às vezes até fica a dúvida se a marcha foi realmente engatada.

O conjunto dinâmico do sedã não ganhou qualquer atualização por parte da Fiat. Isso significa que algumas das falhas "clássicas" do Siena ainda estão lá. A suspensão extremamente molenga é uma delas. Ela beneficia o conforto – o três volumes é de fato um carro bastante suave –, mas atrapalha a estabilidade. Não é preciso atingir velocidades altas ou fazer curvas muito fechadas para sentir uma falta de segurança ao volante do modelo.

O Siena EL tem espaço apenas razoável no interior. Cinco adultos passam aperto. Ele é projetado para, no máximo, levar uma criança no meio. Há uma quantidade razoável de porta-objetos na cabine, todos bem espalhadas e bem pensados. O porta-malas é grande, leva 500 litros, mas peca pelas hastes que invadem a área das bagagens.
Ficha técnica

Fiat Siena EL 1.4

Motor: Flex, dianteiro, transversal, 1.368 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro, comando simples de válvulas no cabeçote. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência máxima: 85 e 86 cv a 5.750 rpm com gasolina e etanol.
Aceleração de 0 a 100 km/h: 12,9 e 12,8 segundos com gasolina e etanol.
Velocidade máxima: 166 e 167 km/h com gasolina e etanol.
Torque máximo: 12,5 e 12,4 kgfm a 3.500 rpm com gasolina e etanol.
Diâmetro e curso: 72,0 mm X 84,0 mm. Taxa de compressão: 10,3:1.
Suspensão: Dianteira do tipo McPherson com rodas independentes, com braços oscilantes inferiores e barra estabilizadora. Traseira com rodas independentes, eixo de torção e barra estabilizadora.
Pneus: 175/65 R14.
Freios: Discos ventilados na frente e tambor atrás.
Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,16 metros de comprimento, 1,63 m de largura, 1,43 m de altura e 2,37 m de distância entre-eixos.
Peso: 1.076 kg.
Capacidade do porta-malas: 500 litros.
Tanque de combustível: 48 litros.
Produção: Betim, Minas Gerais.
Itens de série: Apoios de cabeça com regulagem de altura, bancos dianteiros com regulagem do encosto, banco traseiro rebatível, computador de bordo, conta-giros, tomada 12V e vidros verdes.
Preço: R$ 30.970.
Por: Rodrigo Machado / Auto Press / Fonte: Motor Dream

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