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sábado, 5 de maio de 2012

Comparativo: Peugeot 308 2012 versus Fiat Bravo 2012

05/05/2012 Carros do Álvaro — Peugeot 308 encara duelo contra o Fiat Bravo.Na Europa, ter um iPhone e um Peugeot 308 pode até fazer inveja no seu vizinho, mas certamente não será pelo fator novidade. No Brasil, o telefone também já não arregala os olhos alheios; já o carro... Circulamos com o lançamento da Peugeot por São Paulo, e as pessoas chegavam a apontar para ele nas ruas. Em um posto de gasolina, um camarada comentou como estava bonito esse "novo 307", como ele mesmo chamou. Eu concordei e fiz questão de mostrar algumas imagens do modelo europeu no meu iPhone. As fotos chamaram alguma atenção, o celular passou batido.

Tá, mas você vai perguntar o que raios um iPhone tem a ver com o Peugeot. Não muito, mas ambos foram lançados no mesmo ano de 2007. Desde então o smartphone de um botão só começou uma revolução digital. E o Peugeot cumpriu seu papel na Europa, onde foi bem recebido pelo público e crítica.

Por aqui nós recebemos o telefone em 2008, um ano após o lançamento. Já o Peugeot 308 demorou um “pouquinho” mais. Levou cinco anos para ganhar nosso mercado. Com esse "atraso", não tivemos dúvida quem convocar para ser o primeiro desafiante do modelo. O Fiat Bravo, lançado na Europa no mesmo ano que o iPhone e o 308, levou três anos para desembarcar no Brasil, o que aconteceu em dezembro de 2010.

Antes tarde...
Sim, o Peugeot 308 demorou a chegar a ponto de quase ultrapassar o prazo de validade – a nova geração, chamada de 301, já realiza testes na Europa. O que não quer dizer que o hatch venha enfraquecido para o nosso mercado. O design atualizado em relação ao modelo europeu, aliado a moderna plataforma 2 do grupo PSA e ao novo motor 1.6 dão condições ao 308 para se tornar umplayer entre Hyundai i30 e Ford Focus, referências do segmento.

O que intriga é que a fórmula aparentemente certeira do 308 era a mesma do Fiat Bravo, no final de 2010. O Fiat trouxe seu desenho moderno, novo motor E-Torq sob o capô e uma vasta lista de equipamentos tecnológicos para convencer o consumidor a estacioná-lo em sua garagem. Mas as vendas não empolgaram.

Uma boa olhada

Repare no novo 308. O desenho, apesar de inspirado no modelo europeu, traz mais personalidade e dinamismo. Ele não quer parecer “mais do mesmo”, e por isso adotou novidades estéticas presentes em outros carros da marca, como o logotipo do Leão aplicado diretamente na carroceria – igual ao sedã 508.

De uma forma geral, o design do 308 argentino – esse carro é feito em El Palomar, Argentina – é robusto e esportivo. O capô recebe dois vincos centrais bem acentuados que acompanham o desenho dos faróis, e a grade dianteira está menor e traz aletas cromadas na versão testada, a Allure.
Agora observe o desenho do Bravo. Note que, lado a lado, o 308 parece mais encorpado que o hatch mineiro. A dianteira do Fiat, com referências visuais ao Punto, fica um tanto conservadora quando ao lado do Peugeot. Só que a traseira do Bravo, inspirada nos modelos Alfa Romeo, garante um visual mais harmônico ao modelo. A bem da verdade, o Peugeot 308 agrada mais vindo e o Fiat Bravo indo.

Hora H

Apesar de as vendas do Bravo nunca terem empolgado, o carro sempre foi uma referência de belo acerto dinâmico e diversão ao volante. Com isso em mente, era uma incógnita o que esperar do 308. Ainda mais considerando que seu antecessor, o 307, tinha uma dinâmica própria e comportamento um tanto estranho em algumas situações. Com dúvidas na cabeça, liguei o 308, saí com o modelo e... uma bela surpresa. O novo hatch da Peugeot está muito mais para 408 do que para 307 – ainda bem!
No dia-a-dia, o Peugeot 308 se mostra um carro equilibrado e gostoso de dirigir. Apesar do motor 1.6 16V Flex Start compreender a grande novidade mecânica do modelo, o carro que dirigimos levava sob o capô o 2.0 flex, compacto e de liga leve. Esta unidade de força é capaz de entregar 151 cv a 6 mil rpm e22 mkgf a 4.000 rpm com etanol no tanque. Na prática, o carro mostrou disposição e esperteza na cidade.

Somente nas íngremes ladeiras do bairro de Perdizes, em São Paulo (algo como a Santa Tereza, no Rio, ou Gutierrez, em BH), faltou fôlego ao hatch, e foi preciso abusar do câmbio manual de cinco velocidades, bem escalonado, para extrair uma “vontade” extra do conjunto mecânico. A suspensão do 308 representa uma evolução em relação a do 307, que quicava muito. O acerto do modelo preza pelo conforto. Ponto para o 308.

O Peugeot 308 certamente foi uma surpresa agradável, mas a verdade é que ainda parece mais divertido dirigir o Fiat Bravo. O hatch mineiro tem suspensão mais rígida e se comporta melhor em uma tocada apimentada. O motor E-Torq 1.8 16V entrega 132 cv e 18,9 mkgf quando abastecido com etanol. Este conjunto garante respostas rápidas às investidas no acelerador e esperteza na cidade. O preço a ser pago é em relação ao conforto, já que o Fiat não lida tão bem com a buraqueira das nossas ruas.

Cada um no seu quadrado

Alguns parágrafos acima você leu que 308 e Bravo chegaram ao nosso mercado com fórmulas parecidas. É verdade, mas o que vale mesmo é que os dois têm características completamente diferentes. Enquanto o Bravo traz uma veia esportiva, o Peugeot 308 aposta na racionalidade e conforto para conquistar seu espaço no segmento, principalmente entre famílias. A tática de razão em vez da emoção pode ser, neste caso, o diferencial entre vender ou não. Basta saber se os cinco anos de atraso vão fazer o consumidor pensar, duas, três... cinco vezes antes de comprar o hatch da Peugeot.
por Marcelo Cosentino - fotos Bibo Bouzaz 
Fonte: CarAndDriverBrasil

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